VerdeNova
Notas da quinta.
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Micro-quê?

É isso. Sempre que falamos em microvegetais, a primeira coisa que ouvimos é: “Micro-quê?”

E é uma pergunta justa. Por isso, antes de vos mostrarmos como os vamos cultivar, o que vamos plantar ou quando poderão chegar à vossa mesa, faz sentido começar pelo princípio.

Afinal o que são microvegetais?

Micro-rúcula num tabuleiro preto, com as duas primeiras folhas abertas
Micro-rúcula

Ao contrário do que o nome pode fazer parecer, os microvegetais (também conhecidos como microverdes ou microgreens) não são vegetais em miniatura. São plantas que, na maioria dos casos, já conhecemos muito bem: rúcula, brócolos, rabanetes, ervilhas, girassol, mostarda, coentros e muitas outras.

A diferença está sobretudo no momento em que são colhidos. Enquanto deixamos uma rúcula crescer durante semanas até formar o molho de folhas que encontramos no supermercado, uma micro-rúcula é colhida logo no início da vida da planta. Dependendo da variedade, os microvegetais podem estar prontos para colher cerca de 7 a 21 dias depois da germinação.

Nessa altura já têm aquelas primeiras pequenas folhas que aparecem quando a semente germina e, em muitos casos, começam também a surgir as primeiras folhas verdadeiras da planta.

E se não os colhermos? Continuam a crescer.

Molho de rúcula adulta, com as folhas formadas, atado com fio

Um microvegetal não é uma espécie diferente nem uma versão especial da planta. É simplesmente uma planta colhida muito cedo no seu ciclo de vida. Deixado crescer, aquela pequena micro-rúcula continuaria o seu caminho até se tornar numa planta adulta.

Pequenos, sim. Nutricionalmente insignificantes, nem por isso. É precisamente nesta fase inicial que acontece muita coisa dentro da planta.

A semente contém as reservas necessárias para alimentar o crescimento inicial e, durante os primeiros dias, a planta está num período de desenvolvimento extremamente ativo. Por isso, muitos microvegetais contém concentrações altas de vitaminas, carotenoides, minerais e outros compostos bioativos.

E sabem todos ao mesmo? Não. Felizmente.

Quando alguém vê uma caixa cheia de pequenas folhas verdes, é fácil assumir que o sabor também deve ser mais ou menos igual. Nada disso.

Existe uma variedade enorme de microvegetais e os perfis de sabor e textura podem mudar completamente de um para o outro. Alguns são suaves. Outros são doces. Outros são frescos. Outros têm um sabor surpreendentemente intenso. E há alguns que dão um belo pontapé.

E depois há a cor.

Verde-claro, verde-escuro, amarelo, vermelho, rosa, roxo...

Algumas variedades têm caules quase fluorescentes. Outras folhas completamente roxas. Outras parecem minúsculas versões das plantas adultas. Para nós, essa variedade é uma das partes mais interessantes dos microvegetais. Cada variedade pode desempenhar um papel diferente.

Micro-milho-pipoca, rebentos amarelo-vivo numa caixa preta
Micro-coentros com folhas recortadas como as da planta adulta
Micro-rabanete roxo, caules e folhas roxos numa caixa preta
Três variedades de microvegetais lado a lado numa caixa de cartão

Então... o que fazemos com eles? Ora bem.

Praticamente tudo.

Com carne. Com peixe. Com ovos. Numa salada. Dentro de uma sandes. Por cima de uma sopa. Numa massa. Num batido. Num pequeno-almoço. Ou naquela sobremesa fancy que parece ter saído diretamente da cozinha de um restaurante.

Não tenham medo de experimentar. Há tantas combinações de sabores e texturas que provavelmente existe um microvegetal para quase todos os gostos e feitios. E sim: também vamos deixar receitas por aqui.

Queremos que este Diário não seja apenas sobre como produzimos os alimentos, mas também sobre aquilo que acontece depois de saírem da quinta. Ou seja: quando chegam à cozinha.

Então porque é que a VerdeNova começa pelos microvegetais?

Porque temos de começar por algum lado. E preferimos começar pequeno e aprender depressa do que tentar cultivar vinte produtos diferentes ao mesmo tempo e fazer todos mais ou menos.

Tabuleiro de ensaio acabado de semear, só com substrato à vista O mesmo tabuleiro dez dias depois, coberto de microvegetais

Os microvegetais têm uma característica especialmente interessante para uma quinta que está a começar: crescem depressa. Algumas variedades podem estar prontas para colher em pouco mais de uma semana. Isso significa que conseguimos fazer um teste, observar o resultado, encontrar problemas, alterar o que for necessário e começar novamente sem ter de esperar meses para perceber se funcionou.

Para nós, isso vale ouro. Porque nesta fase queremos aprender. Muito.

Queremos perceber quais as variedades que se adaptam melhor ao nosso sistema. Que sementes germinam de forma mais consistente. Quanto tempo demora cada cultura. Quanta água utiliza. Qual a densidade ideal. Quando é o melhor momento para colher. Como muda o sabor ao longo do crescimento. Quanto tempo mantém a qualidade depois da colheita.

E, principalmente: o que é que as pessoas realmente querem comer.

Mas ainda não começámos a plantar.

E isso é intencional. Neste momento ainda não temos filas e filas de tabuleiros verdes dentro da VerdeNova. Antes de começarmos a produzir para venda, queremos falar com quem eventualmente vai comprar aquilo que cultivamos. Restaurantes. Chefs. Pessoas que cozinham em casa. Queremos perceber que variedades lhes interessam, quanto utilizariam, com que frequência comprariam e quais são atualmente as maiores dificuldades em encontrar produtos frescos e consistentes. Porque podemos achar que toda a gente precisa desesperadamente de micro-rúcula.

Mas convém perguntar primeiro.

O objetivo é simples: não queremos plantar às cegas. Queremos construir o nosso calendário de cultivo à volta da procura real. E os microvegetais dão-nos uma excelente oportunidade para fazer precisamente isso. Começar com poucas variedades. Testar. Ouvir. Aprender. Melhorar. E só depois crescer.

E agora?

Agora começa a parte interessante. Há sementes para escolher. Equipamento para montar. Tabuleiros para testar. Sistemas para afinar. Variedades que provavelmente vão correr muito bem. E outras que provavelmente nos vão dar dores de cabeça.

Ainda não sabemos tudo. E é precisamente por isso que decidimos começar este Diário agora e não daqui a um ano, quando tudo estiver bonito, afinado e pronto para fotografar.

Queremos mostrar também o que acontece antes disso. Os primeiros testes. As primeiras falhas. As mudanças de ideias. Os primeiros tabuleiros. As primeiras colheitas. Os primeiros clientes. E tudo aquilo que ainda nem sabemos que vai acontecer.

Aqui é que começa.

Fica connosco e vê a VerdeNova crescer, semente a semente.

Acompanha-nos desde o início.

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O que são microvegetais? – VerdeNova